Belmonte

A vila de Belmonte, situada nos antigos Montes Crestados, atual Serra da Esperança, é uma localidade cheia de história e tradição. Os primeiros vestígios de vida humana remontam à idade do Bronze e nunca mais esta terra foi abandonada pelas suas gentes, o seu foral data de 1119 remontando ao início da nacionalidade.

Belmonte foi também o berço de Pedro Álvares Cabral, o descobridor do Brasil cuja dádiva ao mundo é nos dias de hoje testemunho da grandiosidade de um povo. Venha fazer uma viagem desde o início da humanidade através do império romano passando pelos tempos áureos dos descobrimentos até aos nossos dias.

Como guardiã desta enorme herança cultural, a vila de Belmonte têm à disposição de quem a quiser conhecer, infraestruturas destinadas a preservar e estudar o seu legado na história do país e do mundo:

 


Foi em 1258 que D. Afonso III autorizou D. Egas Fafe a construir uma torre no castelo de Belmonte, no entanto existem indícios de que anteriormente já aqui existiam fortificações defensivas, dado que foi posto a descoberto pelas escavações realizadas no local.

Supõe-se que estas defesas ancestrais se prendiam com a necessidade de repovoar e reafirmar o poder de D. Sancho I na região, mas muito fica por apurar em relação à história do castelo devido à multitude de culturas que o invadiram e dele quiseram fazer seu quartel. Mais tarde em 1466, o Castelo foi desta feita doado a Fernão Cabral I, passando desde então a ser a residência da família Cabral, posteriormente foram realizadas várias alterações, as quais ainda são visíveis nos dias de hoje como por exemplo a característica janela Manuelina datada da primeira metade do séc. XVI.

O castelo serve hoje as funções de espaço cultural e museológico, aberto ao público e é onde também se encontra instalado um posto de informação turística.

No séc. XIII atesta-se a existência de uma já próspera comunidade Judaica, responsável pela existência de uma sinagoga de que resta uma inscrição datada de 1296, esta comunidade residia provavelmente em torno das actuais Rua Direita e Rua Fonte da Rosa.

Estas casas eram compostas de 2 pisos sendo que o piso térreo se destinava na maioria das vezes a oficinas e lojas, já que esta comunidade era predominantemente formada por comerciantes e artesãos. Em 1496, D. Manuel I decretou a conversão forçada ao catolicismo, o que originou a criação de uma comunidade hoje designada de “cripto-judaica”, em que o culto era realizado de forma secreta e nas casas das respectivas famílias. Mantendo assim os seus rituais e tradições intactos ao longo dos tempos.

A data da primeira sinagoga a existir em Belmonte, remonta ao ano 1297, como se pode atestar pela inscrição nas pedras do que resta desse antigo edifício. A existência de uma comunidade judaica organizada, está bem documentada ao longo dos séculos, mas teve maior expansão a quando da expulsão dos judeus de Espanha por parte dos reis católicos.

Seculos mais tarde já em 1988 teve lugar a constituição legal desta comunidade, como lugar de culto existe hoje uma moderna sinagoga, arquitetonicamente orientada para Jerusalém e que dá pelo nome de Bet Eliahu em homenagem ao ordenante benemérito da sua construção. Atualmente é uma das poucas comunidades com Rabi em permanência.

A igreja de Santiago atesta a passagem dos tempos assim como a sua importância para quem esta vila governava, a sua primeira construção data aparentemente de 1240, revelado pelos seus traços românicos, tendo sido ordenada a sua construção por D. Maria Gil Cabral por disposição de D. Gil Cabral. Contudo foi sofrendo alterações ao longo dos séculos, isto deu origem a um conjunto bastante rico de elementos arquitetónicos, que vão do gótico ao renascentista.

No interior do monumento podemos observar uma magnifica Pietá policromática em granito assim como várias pinturas murais de pelo menos dois períodos da história. Adossado à igreja encontra-se o panteão dos Cabrais, cuja construção apesar de ser iniciada em 1483 sofreu uma renovação da autoria de Francisco Cabral que remonta a 1630, data de alguns dos túmulos ali existentes. Esta igreja, fazendo parte dos caminhos de Santiago, terá servido de lugar de meditação aos peregrinos que por aqui passavam.

Com uma presença notória da comunidade judaica em Belmonte ao longo dos tempos, muito se pode aprender com o seu património cultural, sobre o culto, a cultura e as vivencias de um povo.

É com isto em mente que o museu judaico abre as suas portas ao visitantes, pretendendo homenagear a tão ancestral comunidade, dando a conhecer a quem o visita os rituais e especificidades desta religião, assim como o legado deixado de geração em geração pelos seus seguidores. Neste museu é possível saborear o pão ázimo (sem sal e fermento) assim como adquirir alguns produtos Kosher tais como o vinho e o azeite.

Uma vez que Belmonte foi o berço de Pedro Álvares Cabral, um dos pioneiros dos descobrimentos do novo mundo, fazia todo o sentido homenagear este grande feito da nação com um museu interpretativo.

Dotado das mais avançadas tecnologias multimédia, este museu instalado no antigo solar dos Cabrais, proporciona a quem o visita, uma envolvente viagem ao passado e à época de ouro dos descobrimentos, embarque nesta viagem de 500 anos e descubra de uma forma interativa o tempo dos grandes navegadores.

A natureza é também parte importante do nosso património, com isto em mente, a Vila de Belmonte tem à sua disposição, instalado na antiga Tulha dos Cabrais um museu didático conde se pode estudar o percurso do rio Zêzere, desde a sua nascente até à foz, incluindo a sua fauna e flora tão diversa como valiosa. É também lugar de exposições temporárias relacionadas com o tema.

A produção de azeite foi desde sempre uma parte fundamental da economia local, tempos houve em que lagares como este criado no final do seculo XIX se propagavam pela região, hoje após uma recuperação do seu abandono, encontra-se instalado no mesmo, um museu do azeite.

Neste museu é possível observar todo o processo produtivo deste a entrada da azeitona à sua transformação em azeite, assim como provar a “tiborna” (pão molhado no azeite) tão tradicional nesta região.

Como testemunha da passagem do império romano pela Cova da Beira, restam hoje ruinas, expostas por sucessivas escavações arqueológicas, que deixam a descoberto uma parte importante do nosso passado.

Exemplo do resultado desses estudos arqueológicos pode ser observado na Quinta da Fórnea, sendo um espaço amplo a céu aberto onde se pode ver o que resta de uma Villa romana, equivalente atual a uma exploração agrícola de grande dimensão, estas Villas eram compostas normalmente por um conjunto de edifícios entre os quais, celeiros, adegas, oficinas, lagares etc..

Uma torre envolta em mistério durante muitos séculos, é talvez um dos edificios mais enigmáticos do concelho. Já foi alvo de variados estudos, de arquitetónicos a arqueológicos, todos eles apontando para diferentes teorias. O seu nome deriva das palavras “cem celas” e foi passando de geração em geração até aos dias de hoje.

Acredita-se que aqui esteve cativo São Cornélio, facto que lhe valeu o nome de “torre de São Cornélio”. Mas foi finalmente em 1998, que, após estudo exaustivo dos objetos encontrados nas escavações orientadas pela Arq. Helena Frade, se conseguiu sustentar algumas teorias em relação a este edifício:

A construção desta torre data do século I e é tipicamente romana, situava-se no centro de um grande espaço residencial e foi habitada entre os séculos I e IV, o seu fundador, Caecilius, conforme se confirmou numa inscrição presente no local, vivia da exploração de estanho e escoava a sua produção através de uma via romana muito importante fazia a ligação entre Braga e Mérida. Com o desmoronar do império romano e a entrada na época medieval, os terrenos da torre assumiram o papel de zona de culto cristão existindo até alguns vestígios de uma capela medieval datada do século X e XI, assim como várias sepulturas.

 

 

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