Serra da Estrela

 


O Queijo Serra da Estrela, já nomeado uma das 7 Maravilhas da gastronomia de Portugal, é também o mais antigo dos queijos Portugueses datando a sua origem do séc. XII, tendo estado presente em mesas reais e até mesmo, referido na literatura portuguesa pela obra de Gil Vicente.

O Queijo da Serra da Estrela, ou vulgarmente chamado "Queijo da Serra" é um queijo curado, com pasta semi-mole amanteigada de cor branca ou amarelada e é feito exclusivamente de leite de ovelha.

Para ser considerado um Queijo da Serra da Estrela o seu leite tem que ter origem nas ovelhas da raça "Bordaleira Serra da Estrela" ou "Churra Mondegueira", pois estas são as raças de mellhor aptidão leiteira e deverão ser alimentadas unica e exclusivamente por pastagem livre, ou seja, sem usar qualquer tipo de ração. Existe ainda a preocupação do pastor escolher correctamente as pastagens, pois algumas ervas podem conferir ao queijo um sabor menos agradável.

Produção

Para produzir o Queijo da Serra da Estrela recorre-se ainda ao processo tradicional e artesanal. O queijo é produzido apenas no Inverno e o leite que lhe dá origem é recolhido ao anoitecer pelo próprio pastor. O leite é então coalhado ao entrar em contacto com a Flôr do Cardo e com o sal, após isto, o soro do leite é retirado utilizando uma prensa e procede-se então à salga manual. O sucesso deste processo, diz-se depender grandemente das temperatura das mãos de quem nele trabalha. O tempo de cura para este queijo varia entre os 60 e os 120 dias em ambiente húmido e controlado. O peso do produto final pode variar entre os 0.7kg e os 1.5kg.

Para os pastores o dia começa às cinco da manhã e só termina depois do pôr-do-sol. Uma vida dura, sempre "presa" às necessidades dos animais e que raramente é compensatória. Mas houve tempos em que esta atividade era uma das atividades mais importantes da região, que vivia em grande parte da industria têxtil e dos lanifícios e para a qual, a lã das ovelhas era uma matéria prima essencial.

Hoje restam poucos pastores de profissão, são na sua maioria pessoas com mais de 50 anos embora existam ainda qui e ali alguns descendentes mais novos que enveredaram por este caminho.

São muitos os sítios onde se podem encontrar vestígios do seu cotidiano, quer seja através de pequenas palheiras construídas na montanha que resistem ao passar do tempo, quer seja pelas "testemunhas de pedra" que os pastores construíam nos mais improváveis recantos do maciço central, e que serviam para abrigar animais e instrumentos de trabalho e até alimentos.

Uma das características mais notáveis desta profissão ancestral é a transumância, os pastores eram e alguns ainda são, quase que nómadas, procurando durante o ano os melhores sítios para os seus animais se alimentarem, descendo a serra no inverno para evitar o gelo e a neve e voltando a esta na primavera quando os rebentos das plantas ganham nova vida.

Uma nobre profissão, esquecida no tempo das tecnologias de informação, mas que sem a qual o homem nunca teria alcançado o seu desenvolvimento atual.

Portugal é um pais rico em cultura músical e a Beira não é exceção, este era um dos principais veículos de transmissão cultural e ainda hoje esboça o retrato e as vivencias de todo um povo.

Com a intenção de recordar as tradições, foram nascendo aqui e ali, grupos musicais denominados de "ranchos folclóricos", estes grupos etnográficos tentam recriar através de canções, dança e até indumentária, os costumes e tradições que foram abandonados e que faziam parte do cotidiano das populações rurais, como eram o caso das desfolhadas ou das malhadas.

De grande importância para a musica popular, são também, os seus instrumentos tradicionais, como é o caso do ADUFE, da VIOLA BEIROA ou da flauta travessa que era uma companheira inseparável dos pastores.

Por tudo o já referido, o cancioneiro Beirão é rico e variado, fazendo dele parte, alguns poemas tão conhecidos que qualquer Português identifica facilmente, como é o caso da Canção da Beira Baixa.

"Era ainda pequenino

Acabado de nascer

Inda mal abria os olhos

Já era para te ver

Acabado de nascer


Inda mal abria os olhos

Já era para te ver

Acabado de nascer


Quando eu já for velhinho

Acabado de morrer

Olha bem para os meus olhos

Sem vida são p'ra te ver

Acabados de morrer


Olha bem para os meus olhos

Sem vida são p'ra te ver

Acabados de morrer


Era ainda pequenino

Acabado de nascer

Inda mal abria os olhos

Já era para te ver

Acabado de nascer


Inda mal abria os olhos

Já era para te ver

Acabado de nascer"


 

 

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